Testemunho do utente Sr. Ernesto Lopes Nunes

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Testemunho do utente Sr. Ernesto Lopes Nunes

A Gaiola Dourada

Todo o mundo sabe as consequências tão nefastas causadas pela pandemia.

Os serviços de saúde (públicos e privados) foram de súbito obrigados a alterar a sua programação: cirurgias e consultas adiadas sine die e as próprias UNIDADES DE CUIDADOS CONTINUADOS forçadas a fazer verdadeiros milagres de modo a cumprirem a sua atividade normal, agora acrescida do dever de protegerem os utentes e os próprios funcionários dos perigosos contágios.

Deste período tive a prova começando pelo teste oral e nasal, felizmente negativo, seguido dos 14 dias de total isolamento, bem duros de suportar, mas onde os cuidados eram constantes – noite e dia: quantas vezes medidos temperatura, TA, oxigénio, etc., recolhido sangue para análises e os banhos diários completos. Acima de tudo como eu gostava da visita a meio da tarde de um professor de fisioterapia, que deu inicio ao fortalecimento dos meus membros há tanto imobilizados. Deixara de andar em consequência da quebra de potássio, magnésio e outros minerais perdidos com as constantes tomas dos muitos diuréticos. O coração, há sete anos com válvula biológica na aorta e bypass, a funcionar bem, tinha agora problemas na mitral, sendo muito arriscado mexer-lhe.

Enfim,  concluído este período amargo, fui aprovado e pude sair e conhecer o que havia para além de …

Foi um deslumbramento e eu que pensava já ter visto tudo na vida, quanto aprendi: ao ver e apreciar, embora sempre de máscara, as magníficas instalações (de facto 5 estrelas), a variedade de patologias aqui cuidadas (há sempre quem esteja pior que nós!…) e fantástica equipa de colaboradores, em todos os setores, médicos/a, enfermagem, auxiliares, animadores, até aos simples repositores ou encarregados das constantes desinfeções, sempre amáveis,  educados e dedicados, DOURANO realmente a GAIOLA: desde a receção, passando pelo refeitório com refeições apropriadas, bem apresentadas,  e variadas.

Depois… depois, foi o ginásio. Eu não queria citar nomes, todavia, por tudo quanto me fizeram e, em especial, por quanto vi fazer a utentes com tantas e tão complicadas dependências, só posso agradecer ao meu querido professor VASCO, ao seu companheiro JOÃO e a quantos ali trabalham, manifestando a minha profunda admiração.

Uma vez por semana, tenho visita de minha filha. É sempre difícil não nos podermos tocar e aí mais se confirma que estamos mesmo numa GAIOLA , grandiosa, brilhante e onde enquanto cá estiver e Deus o permitir, tudo farei para também ajudar os outros.

Ultimamente tive a sorte de encontrar na cama ao lado da minha o senhor JOÃO PORTUGAL. Estamos a dar-nos muito bem, o que também tem contribuído para a minha integração.

Não tarda que o professor VASCO me ponha a andar de andarilho (já começou), mas mesmo que eu conseguisse caminhar sem qualquer ajuda, eu sei que o meu destino está traçado: lá fora, sem os cuidados continuados controlando os níveis dos minerais, a qualquer instante surge a onda que nem sei se sobe dos pés à cabeça, se vice-versa… Lá vais mais uma queda e acabou-se. Resta-me, pois, enquanto puder, ajudar quem possa.

De outro modo não serei digno de ainda existir.

Curiosamente a 14 de novembro completam-se os 3 meses do meu contrato, dia em que, se vivo inda for, completarei 92 anos!

Ah! Falta uma informação importante, caro leitor: esta GAIOLA DOURADA existe mesmo, construída de raiz e em Coimbra, situa-se na Quinta da Romeira e chama-se

RESIDÊNCIAS MONTEPIO…

A tempo:

Se porventura este texto, que pode levar todos os cortes e retoques que entenderem, tiver algum interesse, eu talvez consiga a sua divulgação, total ou parcial, no DIÁRIO DE COIMBRA ou no semanário CAMPEÃO DAS PROVÍNCIAS, de que fui colaborador durante dezenas de anos e onde ainda tenho bons amigos.

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